Estudando!,  Filosofando sobre a existência

Sobre aprender coisas novas (ou sobre como lidar com aquela voz chata na nossa cabeça)

Eu adoro aprender coisas novas. Línguas, principalmente, mas não só isso. Há alguns anos, decidi voltar a desenhar. Quando eu era criança, passava horas rabiscando, pintando e criando personagens – e outras tantas elaborando histórias em quadrinhos. Então veio a adolescência (na qual, para falar a verdade, até desenhei um pouco) e logo depois a faculdade e trabalho e outras prioridades.

Mas depois dos 30 o desejo voltou com tudo e, uns três anos atrás, comprei lápis, borracha e caderno de desenho e resolvi treinar. Mês passado, o marido me deu de presente uma mesa digitalizadora, e decidi arriscar e mostrar para o mundo as minhas “obras”. Pela diversão, claro, mas também para ter um incentivo de melhorar a cada dia.

De fato sentar e fazer alguma coisa é a parte fácil de aprender, ao menos para mim. A difícil é conviver com a voz crítica que mora dentro da minha cabeça. “Que ridícula!” é uma das frases preferidas dessa mini Melissa versão diabinho. “Está perdendo tempo com besteiras” e “Você nunca vai fazer isso direito” são outras. Por fim, a pior: “Isso não é pra você”.

Não sei se todos têm essa versãozinha infernal da voz da consciência sussurrando maldades nos ouvidos quase que diariamente, mas acredito que isso é bem comum. Acredito ainda que ela é responsável por muitas desistências, por muita infelicidade e por muita frustração.

Então deixo aqui um guia pequeno, incompleto e quiçá meio tosco (deve haver uns bem melhores por aí) de como lidar com ela:

  1. reconhecer que ela existe, ouvir seus argumentos e, então, questioná-los racionalmente;

  2. como ela provavelmente vai seguir lá mesmo depois de ter seus argumentos refutados, é preciso lembrar que o que ela diz é quase sempre besteira;

  3. perguntar se essas coisas chatas que dizemos a nós mesmos não são as mesmas que, mentalmente, dizemos a outras pessoas que também estão tentando algo novo/diferente (se for o caso, é hora de parar com isso);

  4. (passo principal) perguntar a nós mesmos se, na hora de morrer, não vamos nos arrepender de não ter feito/aprendido tal coisa.

Enfim, percebi que quanto mais a gente se julga, mais julga os outros (e vice-versa). Pegar mais leve com todo mundo, no fim das contas, ajuda todo mundo. Claro, não estou falando aqui da linda e importantíssima voz da consciência, mas da voz crítica e irracional que, por um ou outro motivo, desenvolvemos.

Ah, por fim, tem outro passo a levar em conta: todo mundo é ruim até ser bom em algo. Não tem outro caminho. Então, em vez de pensar “sou péssimo nisso”, melhor pensar “estou treinando e, se continuar assim, um dia vou ser bom.”

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