Uma semana em Santiago

Segundo post sobre viagens deste blog – a pedidos!

Pois bem, depois de muito planejar e nunca executar, marido e eu finalmente fomos a Santiago no início de dezembro do ano passado. A gente já tinha pensado outras vezes em visitar a capital chilena, mas no fim sempre mudávamos de ideia, apesar da propaganda animadora que vários amigos faziam.

A sensação depois passarmos uma semana lá pode ser descrita em duas frases: “Como eu não tinha vindo aqui antes?” e “Quero me mudar para cá agora!” Sim, simplesmente nos apaixonamos pela cidade. Tanto que acabamos nem conhecendo outros lugares perto dali, para aproveitar cada segundo.

Mas ela tem de tão especial?

As pessoas aproveitam!
Bom, claro que tem a química – algumas pessoas podem amar um local, enquanto outras detestam. E rolou uma super química entre nós e Santiago. Todavia, acredito que não tem como não curtir uma cidade que é tão vivida pelos seus habitantes. Há pessoas nas ruas todas as horas: de manhã, de tarde, às 11h30 da noite, às 3h da madrugada. Casais namorando, amigos indo e voltando de festas, gente passeando com o cachorro, gente vendendo comida…

Além da questão da segurança, o pessoal sai porque tem aonde ir: há ruas e ruas cheias de bares e restaurantes, por exemplo, muitos parques, feirinhas e shoppings. E mais bares e restaurantes. E ainda mais bares e restaurantes. Acho que é hora de falar em comida!

Tem de tudo para comer
Nós comemos comida italiana, indiana, peruana, venezuelana e vietnamita. Pelo que percebi, a culinária peruana domina (merecidamente), mas tem tudo o quanto é opção. Bem no Centro foi um pouquinho difícil achar opções vegetarianas na hora do almoço, mas não é como se faltassem restaurantes. Também há vários cafés aconchegantes e fofinhos. E, claro, shoppings com suas enormes praças de alimentação.

No pequeno mas incrível Sabor Venezolano!

No pequeno mas incrível Sabor Venezolano!

Bônus: a divina chirimoya é praticamente onipresente.

Bônus 2: toda esquina tem uma barraquinha vendendo o tradicional mote con huesillos, uma bebida típica feita com pêssego e trigo. Depois do choque inicial, meio que virou nossa queridinha para aliviar o calor das tardes.

O famoso (e um pouco incompreendido) mote con huesillos

O famoso (e um pouco incompreendido) mote con huesillos

Museus, museus e museus!
Também tem museu para tudo quanto é gosto. O que mais me impressionou – e no qual gastamos mais tempo – foi o Museo Chileno de Arte Precolombino. Ficamos lá o dia todo (tem um restaurante bacana para almoçar por ali mesmo), e foi uma viagem no tempo e por toda a América Latina. Além de o acervo ser enorme, é tudo bem explicadinho.

O Museo de la Memoria y los Derechos Humanos é pesado, mas importante. Conta a história do golpe de 73 e não economiza em relatos de vítimas de tortura e outras histórias terríveis. Também bastante didático, e fica num prédio muito bonito.

O Museo de Bellas Artes tem um grande acervo de artistas chilenos, e nós vimos uma exposição muito interessante na qual o papel do homem e da mulher na arte era problematizado. Amei!

O Museo Nacional de Historia Natural, pra começar, fica num parque muito lindo chamado Quinta Normal. Mas o conteúdo dele também vale a visita. É uma verdadeira aula de ciências (daquelas que a gente fica triste quando toca o sinal).

No Museo de Historia Natual

No Museo de Historia Natual

Um dos momentos mais emocionante da viagem foi a visita ao Museo La Chascona, que é onde viveu o poeta Pablo Neruda. A história da casa mistura-se com a história do Chile (por exemplo, depois do golpe de 73, ela foi vandalizada, pois Neruda era amigo e defensor de Allende). Logo na entrada é possível ver um documentário curtinho sobre o escritor, e cada visitante recebe um aparelho com áudio (em espanhol ou inglês) para saber mais detalhes de cada peça.

O Centro Cultural Gabriela Mistral (poetisa que ganhou um Nobel de Literatura) foi construído no governo Allende com ajuda de diversos voluntários. Depois do golpe de 73, quando o Palácio de la Moneda foi incendiado, tornou-se a sede do governo chileno. Hoje é um local de exposições, oficinas, teatro… Sob o Palácio de la Moneda agora também há um centro cultural incrível. Vimos várias exposições legais, incluindo uma com obras de Picasso!

Ah, e tem o Parque de las Esculturas, que é isso mesmo: um parque cheio de grandes esculturas. Sim, é lindo!

Ainda há vários outros, mas nós fomos “só” nesses.

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No Parque de las Esculturas

Natureza
O Parque Metropolitano rende várias visitas. Nós fomos só duas vezes, mas caberiam mais. Na primeira, fomos no famoso santuário do cerro San Cristóbal, onde fica uma grande estátua da Virgem Maria (o equivalente chileno do Cristo Redentor carioca) e tem uma vista incrível da cidade. Subimos de funicular (um trenzinho), mas é possível chegar no topo a pé ou de bicicleta.

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No Cerro San Cristóbal

Depois voltamos ao parque para ir ao Jardim Japonês (lindo) e ao Jardim Botânico (idem). Ainda há outras atrações por ali, mas que ficaram para a próxima…

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O belíssimo Jardim Japonês

Também visitamos o Cerro Santa Lucía, beeem menor do que o primeiro, mas também interessante. No topo, tem um castelo, o Castillo Hidalgo, construído no início do século 19 durante a guerra da Reconquista, quando os espanhóis tentaram mandar no Chile de novo.

Recomendo
Adorei tudo o que vi da cidade, mas um cantinho especial para mim é o Barrio Lastarria, que fica do lado do Cerro Santa Lucia. São ruas pequenas, arborizadas, cheias de cafés, barzinhos, casas de chá e lojinhas bacanas. Também adorei o Pueblito Los Dominicos, que é um conjunto de lojinhas de artesanato num antigo mosteiro. É bem para turista, mas é lindo, cheio de coisa bonita para ver (e comprar) e de gatos. Sim, de gatos!

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No Pueblito Los Dominicanos

Outro programa de turista que curti bastante foi subir no Sky Costanera, um mirante situado a 300m de altura que oferece uma super vista da cidade (fica no topo do prédio da primeira foto deste post).

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Santiago a 300 metros!

Transporte
Usamos muito o metrô, que é limpo, organizado e te leva a quase tudo que é lugar. Lá também tem Uber e não é muito difícil encontrar táxis.

Como chegar
Fomos de Gol, com uma parada em São Paulo.

Onde ficar
Alugamos um apartamento na rua San Isidro (perto de tuuudo) pelo AirBnb. Pequeno, aconchegante, com tudo o que precisamos (geladeira, fogão, ótimo chuveiro etc.), e fomos muito bem recebidos pelo proprietário. Foi um pouco mais de R$ 1 mil, o que significou uns R$ 600 para cada (quem quiser mais informações me manda uma mensagem ou pede aí nos comentários).

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No “nosso” apartamento 🙂

Show me the money
O preço das coisas por lá é tipo preço de Porto Alegre, ou seja, nem muito mais caro nem muito mais barato do que aqui. Usamos direto o cartão de crédito. Não trocamos dinheiro antes de ir, e para ter alguma coisa em papel, usamos um caixa 24 horas. No total totalíssimo, com passagens, hospedagem e gastos por lá, a viagem saiu pouco menos de R$ 3 mil para cada. Acredito que, se a pessoa não decidir tudo em cima da hora como nós fizemos, dá para gastar menos.

Categorias: Viagens

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