Que tipo de filme é a sua vida? (Ou sobre como a beleza se revela até em situações bizarras)

Quem nunca se imaginou numa cena de filme? Quando eu era criança, volta e meia protagonizava longas de aventura ou fantasia. Já maior, ficava pensando na trilha sonora perfeita para esse ou aquele momento, como se estivesse passando na tela prateada.

Mas um dia desses descobri, por acaso, exatamente que tipo de filme é a minha vida: una película argentina (apesar de ser em português).

Pois bem, eu estava com muita dor e indo ao banheiro demais até para mim (sou dessas que vai ao banheiro a toda hora!). Então fui ao pronto atendimento, onde me pediram um exame de urina. Daí depois daquela situação “linda” de fazer xixi no potinho no banheiro semi-público, veio outra ainda melhor: a de esperar com o acima citado potinho na mão.

Tinha tudo para ser totalmente frustrante, mas, sem notar, eu havia sentado na cadeira bem do meio da fileira, e não havia ninguém nem dum lado, nem do outro. A sala onde eu estava também era bastante simétrica, e ainda por cima entrava uma maravilhosa luz dourada de fim de tarde pela janela.

Olhei mentalmente para mim mesma e então percebi que só faltava uma coisa para completar a cena: o ator Ricardo Darín (ele certamente seria o médico ou o enfermeiro)!

Claro que não consegui registrar em forma de desenho aquele momento tão constrangedor – mas visualmente tão, tão bonito. Entretanto, acho que o cartaz do longa La vida de una chica gaúcha em tiempos muy, muy peculiares seria mais ou menos assim.

Categorias: Filosofando sobre a existência

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