A louca das palavras

Tão longe, tão perto (mais um post sobre palavras)

Eu andava com muita vontade de escrever outro post sobre palavras, mas tudo o que me veio à mente na última semana foram duas histórias: uma sobre como aprendi os dois únicos vocábulos em polonês que conheço e outra sobre como uma língua tão próxima como o espanhol às vezes pode nos deixar pasmos.

Vamos à primeira: eu tinha 16 anos e estava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos. Uma das minhas colegas, uma polonesa, queria me contar que a professora substituta de matemática usava peruca. Essa minha amiga não tinha ainda um inglês muito bom (para piorar, naquela época não existiam smartphones com dicionários e acesso à internet), e simplesmente não conseguia lembrar-se de “wig”, que é “peruca” em inglês. Ela tentou me explicar de tudo quanto é jeito, e eu não entendia, até que, exausta, afirmou: “Peruka, she is wearing a peruka!”. Ah, claro, por que não disse antes?

Levaram alguns minutos até nos perguntarmos como tínhamos nos entendido daquela maneira.

Então começamos a buscar outras semelhanças entre nossos idiomas. Chegamos à dupla caiaque/kajak. Como nossas mentes foram parar nessa palavra, nunca saberei.

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Dezembro passado, marido e eu fomos ao Chile (já viram o post sobre a viagem?). Depois de um ano estudando pra valer, lendo Vargas Llosa e Isabel Allende no original, vendo filmes e séries em espanhol, estávamos preparados para não entender alguém que falasse muito rápido ou algumas gírias, mas não para o choque idiomático/cultural que nos aguardava num grande e belo shopping de Santiago.

Bom, na verdade eu deveria estar prevendo algo assim. É que, num outdoor numa movimentada avenida, vi um famoso cantor (acho que era o Enrique Iglesias, não lembro direito) desejar uma feliz Páscoa a todos. Mas pensei que era um anúncio antigo e segui sem me deter no assunto. Depois, num supermercado, vi anúncios de “pan de Pascua”, então imaginei que haviam sobrado muitas colombas e o pessoal estava querendo se livrar delas antes do vencimento.

Daí fomos num shopping e, numa grande loja de departamentos, enfeites dourados e vermelhos, claramente natalinos, pendiam do teto declarando “Feliz Pascua”. Finalmente caiu a ficha. Páscoa é Natal? Sim, é. E mais: Papai Noel chama-se, por aquelas bandas, Viejito Pascuero.

Obs: A Páscoa é chamada no Chile de “Pascua de Resurrección”.

 

 

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