Sobre a nossa experiência em Ushuaia

Este post será um pouco diferente dos outros. Bom, será o primeiro sobre viagem. Na semana passada, meu marido e eu fomos passar uns dias no Fim do Mundo – ou seja, na maravilhosa cidade argentina chamada Ushuaia.

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É muita beleza…

Uma coisa interessante (ou nem tanto) sobre estas férias é que nós passamos meses (sim, foram meses, literalmente) tentando escolher um destino. Dinheiro era um limitador (por exemplo, nem cogitamos o Japão, o destino dos nossos sonhos), mas algumas possibilidades atraentes e pagáveis não estavam, por algum motivo, parecendo realmente atraentes. Vai entender…

Até que um dia ele perguntou “Que tal Ushuaia?” e na hora percebi que era esse o lugar que estávamos procurando o tempo todo: o Fim do Mundo, a cidade mais austral do planeta, a capital da Terra do Fogo!

Vale a pena?

Sim!!! Super vale a pena!!! Rodeada pelos Andes, Ushuaia fica à beira do Canal Beagle. Ao sul está a ilha Navarino, que pertence ao Chile. A cidade é pequena, com cerca de 50 mil habitantes, e não tem muita coisa para fazer. Mas o lugar é lindo, absurdamente lindo! Tão lindo que chorei no avião ao ver toda aquela lindeza. Teria sido um baita mico se a reação de muitos outros passageiros não fosse parecida com a minha…

chegada

Do avião, chegando em Ushuaia

Contemplar toda aquela natureza, todo um espaço onde o ser humano é minoria, me fez muito, mas muito bem. É clichê dizer isso, mas é verdade: os problemas que me afligiam apenas um dia antes pareceram ridiculamente insignificantes. Foi a percepção de que o mundo é muito mais fantástico, muito mais lindo e muito mais incrível do que eu estava vendo até então. Espero que isso me acompanhe por um bom tempo.

Ficamos cinco dias e, além de andar pela cidade (que é bem pequena, simples e sem muitos atrativos mas fica num lugar incrível, já disse isso antes?), fizemos dois passeios maravilhosos: navegação pelo Beagle e trilha no Parque Nacional Terra do Fogo.

Onde ficar

O Marcus e eu geralmente preferimos alugar um apartamento no meio do fervo ou ficar num hotelzinho mais simples, mas perto de tudo. Desta vez, contudo, optamos pelo hotel Los Cauquenes, o único cinco estrelas da cidade, bem na beirinha do Beagle (até porque não tem fervo nenhum em Ushuaia). Foi uma ótima escolha! Eu estava com um pouco de receio porque ele é meio afastado do centro, mas tem uma van que leva e traz hóspedes ao longo do dia.

Praia em frente ao hotel Los Cauquenes

Praia em frente ao hotel Los Cauquenes

Do nosso quarto, víamos uma prainha de pedras, o Beagle, o Chile do outro lado e algumas montanhas. Só ouvíamos as ondas e alguns pássaros e mais nada. Apenas curtir aquela vista já teria feito a viagem valer a pena.

Fizemos a navegação no Beagle pelo hotel. Éramos somente nós e um casal da Espanha, além do capitão e um assistente. Foi perfeito! Mas perto do porto, no centro, há uma série de quiosques de agências de turismo que oferecem esses passeios diariamente. Então, não é preciso ter nada marcado com antecedência nem ficar num hotel que ofereça esses serviços.

Por fim, mas não menos importante, somente no hotel comemos comida gostosa. Vou escrever especificamente sobre comida noutro tópico.

Ah: tem wi-fi de graça lá (mas muitos restaurantes também oferecem wi-fi de graça).

O que fazer

Já fazei sobre o passeio no Beagle, que foi tudo de bom. Também fizemos trilha no Parque Nacional Terra do Fogo. Esse não foi pelo hotel. Na dúvida sobre como chegar lá (o parque é afastado da cidade uns 12 quilômetros), pedimos dicas no centro de informações para turistas, que também fica perto do porto, no centro (onde eles carimbam o passaporte para quem quiser, apesar de isso não ter nenhum valor legal). Nos deram mapas com as opções de trilha e um folder com o preço e o horário dos ônibus que partem dali até o parque diariamente.

Trilha Hito XXIV

Trilha Hito XXIV

No dia seguinte fomos até o local de saída dos ônibus e embarcamos numa van. Foi tudo super tranquilo. No parque há várias trilhas, e optamos pela Hito XXIV, que leva até a fronteira com o Chile ao longo do lago Acigami (ou Roca). Eles estimam que percorrer esse caminho e voltar leva umas três horas e meia, mas nós levamos mais porque paramos várias vezes para tirar fotos e contemplar o cenário.

Ah, Ushuaia tem alguns museus. Nós fomos no Museo Marítimo y del Presidio. Foi interessante porque a cidade começou com o tal presídio. A ideia era levar algumas pessoas indesejadas para bem longe do resto da civilização e, de quebra, garantir a posse das terras. Alguns corredores ainda estão como eram usados pelos detentos. Há ainda galerias com informações sobre expedições, sobre presídios de outros países, sobre pinguins, enfim… Não é o museu mais bacana que já fui na vida, e a parte chamada de galeria de arte foi bem mais ou menos. Mas acho que foi importante conhecer.

No Museu do Presídio

No Museu do Presídio

De qualquer maneira, como esse é o museu mais bem cotado da cidade, resolvemos nem ir nos outros, até porque nada ali é de graça (e olhem que adoro museus).

Comida

Pois bem, comida em Ushuaia… Sou vegetariana, e o prato típico de lá é a centolla, um tipo de caranguejo gigante. Além da centolla, o pessoal manda ver peixes e carneiro. Há pouquíssimas opções sem carne, e nem imagino como seria a vida de um vegano por aquelas bandas. A comida do hotel, todavia, apesar de também não ter uma proposta muito variada para a turma veggie, estava sempre excelente.

Já nos locais no centro onde comemos podem ser descritos de ruins a mais ou menos. E achei tudo muito caro. Bom, é preciso ter em mente que o local é o Fim do Mundo, gelado e afastado de tudo, então realmente as opções são limitadas. Não creio que a nossa experiência gastronômica tenha sido sofrível por má vontade dos fueguinos, mas devido às condições peculiares do local.

Para não dizer que só gostei da comida do hotel, eu adorei uma casa de chá chamada Ovejitas de la Patagonia. O lugar, no centro, perto do Museo del Presidio, é extremamente aconchegante, serve chás e cafés maravilhosos e, ainda, chocolate de fabricação própria! Provamos vários, e recomendo fortemente o chocolate com calafate, que é uma frutinha típica da região.

Chocolate maravilhoso no Ovejitas

Chocolate maravilhoso no Ovejitas

Ah: provamos ainda as duas cervejas feitas por lá, a Beagle e a Cape Horn. Como gosto de cerveja preta, provamos a versão negra das duas. Gostei de ambas, mas a minha preferida foi a Cape Horn.

Roupas

Fomos no fim de novembro, quando lá também é primavera, mas o frio era como o dos piores invernos porto-alegrenses. O vento perto do canal deixava tudo mais gelado ainda! Eu levei tênis, calças jeans, camisetas, blusões e casacos, além de gorro e luvas – e usei tudo. Acho interessante utilizar o método cebola, tão conhecido dos gaúchos, porque dentro dos restaurantes etc. é sempre bem quente.

Vale a pena ir ao Fim do Mundo!

Vale a pena ir ao Fim do Mundo!

Como ir

Fomos de Aerolíneas Argentinas. Foram dois voos: um de Porto alegre a Buenos Aires e outro da capital argentina até Ushuaia. Entre um e outro, tivemos de trocar de aeroporto, mas a companhia oferece ônibus gratuito. Foi super tranquilo. Do aeroporto de Ushuaia pegamos um táxi até o hotel, que custou cerca de 100 pesos. Depois descobrimos que o hotel nos enviaria uma van, mas enfim.

Dinheiro e compras

Achei tudo caro lá, mas sou o tipo de pessoa que sempre acha tudo caro e que não gosta de fazer compras (a menos que eu esteja numa livraria, mas todos nós temos o nosso ponto fraco). O câmbio também não ajuda, já que o oficial não tem nada a ver com o real. Eu não recomendaria ir lá para comprar coisas, apesar de Ushuaia ter várias lojas duty free. Mas, repito, não sou das compras…

Conclusão

Sei que já escrevi isso antes, mas vou repetir: o Fim do Mundo é incrível!!!

Navegando no Beagle

Navegando no Beagle

Pescadores de centollas

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Leões-marinhos

Leões-marinhos

Ver animais livres, e não em zoológicos, é uma experiência linda!

Ver animais livres, e não em zoológicos, é uma experiência linda!

Categorias: Viagens

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